26/02/2008
24/02/2008
21/02/2008
Amêndoa amarga

Este travo inteiro
a amêndoa
amarga
A ameixa
a doce a ferver no tacho
Esse travo na língua
a fermentar no corpo
A febre a nascer
a crescer debaixo
Em baixo...
a saia a subir nas coxas
e esse cheiro mais grosso se entreabro
As pernas os lábios
E o gosto
onde o sabor da amêndoa se torna
mais amargo
É esse o momento
o instante exacto
em que tudo se prende
ao gesto sem sentido
A calda no ponto
deixa a língua em brasa
E eu tiro pela cabeça
o meu vestido
(Maria Teresa Horta, 1937, Portugal
in "Destino", 1997)
in "Destino", 1997)
02/02/2008
Olhar..........

É possível saber o que pensas,
somente te olhando
É possível ver que me desejas
É possível ver me queres só para ti
É possível que eu veja como me proteges
Vigias-me
Persegues-me
Somente com teu olhar...
E quando encontra o meu então...
Ninguém pode segurar
Ninguém irá afastar
Ninguém irá me tirar
Esse amor que por ti cultivei
E todas as noites que não te beijei
Nem te abracei
Espero um dia
Recuperar
Já que ainda tenho teu olhar
Que timidamente
Invade meu espaço
Enlouquece meu corpo
Enche-me de desejo
Só para ter um beijo
Ou então passar o resto dos meus dias
vendo-te sorrir...
Coisa que eu já faço
Pois o amor me permite tê-lo
Permite-me verte
E senti-lo a metros de distância
Pois em qualquer circunstância
Teu olhar está lá
Sempre a me procurar..
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